terça-feira, 5 de abril de 2011

Zelosus

A palavra 'ciúme' tem origem nas palavras zelumen ou zelosus, do latim, que por sua vez têm origem na palavra zelos, que significa ardor, fervor ou intenso desejo. Zelos vem da mesma raiz grega que deu origem às palavras castelhana, francesa e inglesa, celos, jalousie e jeaulosy, respectivamente.

Quando uma palavra existe é porque aquela acção, sentimento ou condição também existe de facto. E se essa palavra existe há milhares de anos, é fácil supor que essa mesma acção, sentimento ou condição também existe há milhares de anos. (Também é verdade que continuam imensas definições por atribuir, porque todos os dias encontramos uma nova tara ou um novo bicho, e também há depois palavras como 'gambuzino' para nomear um animal que simplesmente não existe, mas prevalece a ideia. Concluimos então que, embora o tal gambuzino nunca tenha sido visto nem apareça nas enciclopédias científicas, o um bicho fisicamente 'inexiste', mas na nossa fantasia ele é bem real e tem todo o direito a ser 'perfilhado'.)

Ciúmes, Celos, Jalousie, Jeaulosy... é aquela coisa que nos consome as entranhas, nos tira a fome, nos faz roer as unhas e arrancar uns quantos cabelos. E há quem diga que é uma doença, uma tara, um problema e um distúrbio. Sim.. será um distúrbio quando se passa o limite entre o real e o irreal e se começa a perder as estribeiras com coisas 'idiotas' como quando o nosso 'mais-que-tudo' diz um obrigado e sorri à menina da caixa registadora do Pingo-Doce ao receber o troco. Isso talvez não seja muito normal nem tão pouco saudável... e bastante enervante para quem tem de levar com a 'ciumeira'. Mas, de facto, sentir ciúmes é tão natural como beber água.

Diz o dicionário o seguinte "reacção complexa a uma ameaça preceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade". E eu não precisava ter verificado o dicionário para saber o significado exacto do sentimento ciúme. Ele apenas me deu uma definição num português mais pomposo, e não deixo de lhe ficar grata por isso. Nenhum de nós precisaria verificar o dicionário, de facto, porque todos nós já sentimos a tal coisa do ciúme e, tendo ou não um vasto leque de palavras para o descrever, o sentimento é parecido em todos nós.

Seria maravilhoso que não o sentissemos, porque apesar de ser uma coisa bastante humana (..a até animal.. porque se eu puser a minha cadela junto com a cadela do meu irmão, é observar a ciumeira que se instala porque ambas querem atenção! Mas de animais não vou falar, já que é outro mundo distinto), é uma das maiores ameaças à nossa liberdade. À liberdade de expressão de quem quer galantear meio mundo e à liberdade emocional para quem sofre com o medo da perda.

Zelos leva-nos imediatamente ao nosso verbo bem portugês 'zelar', zelar por algo que nos é querido. Zelar pelos momentos que nos fazem sentir bem. Zelar por aquilo que não queremos perder de maneira nenhuma, ou zelar por aquilo que, pensamos nós, devia ser só nosso.

E aqui entra outro conceito, o da 'possessão'. Se eu comprar uma casa, ela é minha por direito, mas o meu namorado ou a namorada do Zé da esquina não é uma propriedade. Já lá vai bem longinqua a época da escravatura, em que homens eram propriedades de outros homens, e, embora acredite que tudo o que acontece no mundo, por mais aberrante que seja, pode não ser mera coincidência, mas um processo longo e muroso de aprendizagem (Deus à parte, a natureza sempre soube o que fez) tal coisa nunca devia ter sequer acontecido.

Pode sentir-se ciumes sem necessariamente sentirmos um sentimento de posse. No nosso eu mais racional sabemos que ninguém é de ninguém, mas no nosso ser mais irracional, desejamos ferverosamente que não tenhamos de partir umas quantas pernas por vingança.

Mas com peso e medida, o ciúme também pode ser uma coisa boa. É a demonstração de que queremos aquela pessoa junto de nós, e isso fá-la sentir-se especial. Foram mais as vezes que me culpei por não sentir ciúme algúm do que as vezes que me culpei por senti-lo. E quando fui eu a razão do ciúme, o meu ego inchou-se.

Talvez um dia sejamos tão livres como um papagaio sem corda, voando ao sabor do vento, sem nada que nos prenda ao solo, mas até lá, certifiquem-se apenas que as vossas cordas são grandes o suficiente para poder dançar. Quanto mais livres nos sentirmos das ameaças constantes do mundo à nossa volta, seguramente seremos bastante mais felizes.

terça-feira, 22 de março de 2011

Sexualidade

Há umas decadas atrás era virtuoso manter a virgindade até ao casamento. Hoje em dia é uma vergonha chegar aos 18 anos ainda virgem.

Há uns anos atrás eu julgava que era perfeitamente idiota a filosofia que nos instiga a guardar essa nossa 'pureza' até à chegada do homem perfeito que nos levasse ao altar. Hoje em dia tenho uma ideia um pouco diferente.

Não concordo que tenhamos de esperar pelo casamento. Muitos de nós nem sequer almeja subir a um altar, envergando um vestido branco e flores de laranjeira nos braços. Eu não estou ansiosa por casar, e de virgem não tenho nada. Também não sou ninguém para concordar ou discordar, apenas dou a minha opinião.

Mas tenho em mim uma máxima: sexo sem amor não tem graça.

Estamos a habituar-nos desde cedo a vulgarizar o uso do nosso corpo. A dar a várias pessoas um pedaço de nós, tirando-lhe toda a sua virtude. É importante e é bom que guardemos certos momentos e certas intimidades para alguém especial. Quando digo especial, não me refiro àquele que nos vai levar ao altar, ou podemos esperar anos pelo pedido de casamento que nunca chega e ficarmos frutradas com isso, mas refiro-me sim a alguém que nos ame e nos queira bem. Alguém que no dia seguinte não nos vire a cara e finja que não nos conhece. Alguém que nos diga o quão bom é partilhar conosco momentos de ternura e paixão, culmine ou não em casamento.

Difícil é destinguir quem é que realmente nos ama e nos quer bem daqueles que só querem tirar vantagem sobre nós. E talvez por isso é importante esperar uns anos e crescer um pouco, até nos aventurarmos em camas alheias. Porque melhor que uma noite de sexo é saber que ninguém nos vai arrasar o coração. E duvido que aos 13 ou 15 anos tenhamos a perfeita noção daquilo que somos e daquilo que queremos e somos muito mais susceptíveis de viver um verdadeiro colapso emocional, principalmente se nos envolvermos com rapazes bem mais velhos. Ainda somos muito meninas, com muitos sonhos cor-de-rosa, por muito que digam que não.

Nada disto está relacionado com religião ou com moralismos. Ninguém tem direito de dizer a ninguém o que fazer, mas é o dever de todos alertar, principalmente os mais jovens.

Regra geral, e principalmente para as mulheres, quando nos envolvemos sexualmente com alguém, acabamos envolvendo-nos também a nível emocional. E quando no dia seguinte esperamos que o tal rapaz volte dizendo coisas bonitas e fazendo promessas de amor eterno e ele não volta e nem sequer se lembra do nosso nome, a coisa amarga.

O amor eterno é algo que mais tarde perceberão que tem muito de decisão e não só de sentimento, porque mais tarde ou mais cedo a paixão esfria, e o amor é algo que se constroi, dia após dia. Ou seja, tem de se decidir, sentimental e mentalmente, se se quer ou não construir esse amor ao lado de determinada pessoa. Mas esperar que nos digam coisas bonitas e nos façam sentir respeitadas é o mínimo aceitável. E por isso é essencial que saibamos com quem estamos. Com 13 ou 15 anos não se sabe com quem se está. Com 13 ou 15 anos nem nós sabemos quem somos.

E quando as consequèncias de uma noite de sexo são o surgimento de uma gravidez indesejada, com 13 ou 15 anos, estaremos diante de uma criança a ter outra criança.

Não vejo porquê a pressa de perder a virgindade a qualquer custo. Se é para que os nossos amigos nos respeitem mais, então eles não são verdadeiros amigos. Se é para nos sentirmos mais mulheres, vos digo que terão anos de sobra para serem mulheres e um dia até terão saudades da infância, que é bem mais curta que a vida adulta. Se é para conquistarem tal rapaz, saibam que um coração não é conquistado assim. Um coração desejoso de amar, não se vai importar se tiver de esperar um pouco mais.

Vivam consoante as vossas vontades, mas façam de tudo para acordarem todos os dias com aquela boa sensação de que ninguém nos vai arrasar o coração.

Ana Luelmo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Espiritualidade

É uma pena que não exista um pacote à venda entitulado  "espiritualidade", que venha recheado dessa mesma graça. Um pacote no verdadeiro sentido do termo, desses que preenchem as prateleiras dos super-mercados. Um pacote com instruções anexas fáceis de seguir, que nos ajudasse a montar a vida, como se ela fosse um ármario do IKEA.

Livros há muitos, pessoas iluminadas também vão havendo umas quantas, mas o que eu gostava mesmo era que a espiritualidade se construísse apenas com um martelo e uns quantos pregos e..voilá. Depois era arrumá-la em algum canto, enquanto se usufruia da compra mais ou menos inconscientemente, e quando expirásse o prazo (se houvesse um prazo), iamos a correr comprar o novo upgrade. Porque se os computadores têm upgrades de dois em dois dias, a espiritualidade também poderia ter, porque senão também não havia emoção alguma nas nossas vidas. E já estou a imaginar as filas que se fariam aquando do lançamento desses novos upgrades. O Harry Potter teria os dias contados.

O problema dos livros e dos discursos é que eles não nos dão a solução (assim uma solução sem precisar passar pela equação e precisar lembrar que menos e menos é igual a mais), eles dizem-nos apenas de que temos de aceitar o Caminho. E perguntam vocês que é esse gajo.

O Caminho, com letra grande, esse grande sacana, é o aquilo que nos acontece e que nunca estamos à espera, é o inverso dos nossos sonhos e a antítese das nossas vontades. Na realidade, é o antípoda da nossa imaginação, mas é a ele que temos de aceitar e abraçar, como forma de aprendizagem. Pois, é assim que deve funcionar, mas só porque não temos alternativa.

O que era bom, mas mesmo bom, era poder agarrar nas nossas experiências vividas, coloca-las no photoshop e administrá-las à nossa maneira. Pôr cores coloridas, adicionar uma música, colar um sorriso onde fosse preciso... Ou ainda barrar as nossas torradas do pequeno-almoço não com manteiga, mas com generosidade ou, quiçá, coragem, acompanhadas com um suminho de alegria, e estávamos arrumados para o resto do dia (O álcool pode ter efeitos parecidos, mas a ressaca não vem nos meus objectivos vespertinos).

Mas depois a generosidade deixava de o ser, assim como a coragem, que perdia os seus tomates, deixava de ser coragem e a alegria seria apenas uma condição. Seria o mesmo que eu dizer que canto bem porque tenho um programa de som muito porreiro que me põe a cantar como a Byoncé.

Afinal de contas, parece-me adequado quando nos falam em "Caminho". Quanto mais não seja para experimentarmos a sensação de merecimento. Quanto mais não seja para experimentarmos o doce após a amargura.

Mas será o Amor, e todos as suas ramificações, conceitos intemporais e não transitórios? Não nos chega entender o Amor como o melhor caminho para viver, também queremos saber se é ele eterno...








quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Cérebros comandados

Atravessamos actualmente uma crise... a dos cérebros comandados.

Quem é que já não se perguntou "Porque tenho eu de me levantar às 7h da manhã e estar numa sala de aula a decorar símbolos químicos que depois vou esquecer em poucos dias?"

Ok, não estou a querer dizer que a educação é dispensável, antes pelo contrário. Apenas reflito acerca dos meios usados para que essa mesma educação chegue até nós, não de chicote em riste, mas é quase como se fosse (eu cá nunca gostei de acordar cedo).
 
Os países de todo o mundo estão ávidos de sucesso económico, e isso leva-os a contrariarem a tal democracia na qual pensamos todos viver. Estão a ser criadas máquinas dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados e felizes, capazes de pensarem por si mesmos.
 
E porque vem à baila agora este assunto? Porque me sinto pouco realizada dentro da minha sala de aula, onde tenho de estar permanentemente em alerta, não vá o professor perguntar-me algo sinistro e, em caso de sair babuzeira da minha boca, levar com aquele olhar "tu és um bocado estúpida e daqui vais para o desemprego".
 
Vejo que as Humanidades e as Artes estão a perder terreno, mesmo até nas áreas supostamente artísticas, como a minha. Animação 3D tem muito de técnica, mas também devia dar-me a liberdade suficiciente para criar. E até a tenho...simplesmente porque eu não ouço o professor.
 
As artes são acessórios inúteis e há que combater o superfluo para sermos competitivos no mercado mundial, é por aí o caminho que estamos a seguir. O importante é rodearmo-nos de bens que nos satisfazem e consolam, porque nós já perdemos a capacidade de ver dentro de nós mesmos algo que nos satisfaz e consola. O pensamento e a imaginação estão pregados num alvo, prontos para levarem um tiro, porque aquilo que faz de nós humanos nem sempre é utilitário.
 
Este espírito competitivo que está a ser injectado nas crianças e jovens cega-lhes uma faculdade muito importante: a de ver no outro um outro nós. O sentimento de dedicação ao outro implica que o vejamos como ser humano e não como obstáculo. Mas o mundo competitivo é assim. Se não sabes a tabuada toda de 'cor e salteado' não levas uma reguada porque isso é do tempo da 'outra senhora', mas possivelmente, se não trabalhares a tua imaginação e engenho cigano, irás ser um daqueles desgraçados que vai para o pub da esquina mamar imperiais até a noite ficar dia (com o subsidio de desemprego).
 
Eu entrei numa área técnica, a culpa foi minha. Mas se não fosse para uma área técnica e me dedicasse ao origami, tinha de viver com algumas moedas deitadas num chapéu. E isso nem seria mau se, de facto, admirassem a minha arte origami e não me deitassem um par de moedas no chapéu por pena (ai, coitadinha, que não deve ter curso universitário).
 
A capacidade de imaginar as vivências e as necessidades do outro contraria o Capitalismo. E é do Capitalismo que vivemos diariamente. Promover a qualquer custo o crescimento económico não estimula ninguém a ser melhor pessoa nem a ser-se mais feliz.
 
Como Martha Nussbaum* diz, e bem, "Devemos cultivar os olhares interiores dos estudantes. As artes têm um papel fundamental na escola porque enriquecem a capacidade de jogo e de empatia, de uma maneira geral".

É fácil tratar os seres humanos como objectos a manipular, quando nunca se teve a capacidade de ve-los de outra perspectiva.
 
Se afirmamos que queremos a democracia e também a liberdade de expressão, o respeito pela diferença e uma compreensão amplificada ao mundo todo, temos não só de ser a favor desses valores, mas também fazer a diferença no ensino e naquilo que está a ser transmitido à geração seguinte, assegurando a sobrevivência desses mesmos valores e transformando o mundo um sitio mais honesto para se viver.
 
*filosofa norte-americana contemporânea.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Jogos de Computador

Eu ainda sou do tempo, não da televisão a preto e branco, porque essa já nasci vendo a cores, mas sim dos computadores de tela preta e letras amarelas. Aquele sistema operacional bem rudimentar. Alguém se lembra?Já havia jogos, claro. Mas a oferta não era tanta como a que há hoje em dia. A qualidade desses mesmos jogos era também inferior, o que os tornava menos aliciantes comparativamente aos jogos que existem hoje no mercado.
Eu só me lembro de jogar um que consistia num gato andando atrás de moscas e borboletas, que quantas mais apanhasse, mais pontos obtinha. Mas lembro-me muito melhor dos outros jogos, aqueles que fazia com os meus amigos no parque do meu bairro.
Jogávamos ao Polícia e Ladrão, aos Dinossauros ferozes e aos destemidos exploradores, brincávamos de esconde-esconde, à apanhada e às casinhas...E essas casinhas eram feitas de pedrinhas empilhadas e com ramos de árvore que teciam verdadeiras tapeçarias. Brincávamos na rua até ao final da tarde, víamos o céu por-se de todas as cores, laranjas, amarelos, lilases. Era maravilhoso chegar a casa bem cansada, depois de um dia a correr e a rir, a fugir de monstros imaginários e a descobrir tesouros de fantasia. Chegava cansada, tomava um banho quente e dormia. No dia seguinte ansiava por voltar à escola e encontrar com os meus amigos. E quando saíamos da escola, não íamos nunca para a frente de um computador ou televisão, íamos sim em direcção ao sol, nas nossas bicicletas ou nas nossas asas de "faz-de-conta".
Fui uma criança urbana. A minha casa era (e continua a ser) num 6º andar. O meu bairro é formado todo ele por prédios altos. Havia carros a passar e muita coisa a acontecer. Mas também tive a sorte de ter espaços verdes e muitos sítios encantados onde brinquei muito quando era criança.
Costuma dizer-se que o espaço que nos rodeia transmite-nos a sua energia, mas também é verdade que a fantasia de uma criança pode tornar qualquer espaço e qualquer energia num conto de fadas, ou num outro conto qualquer, aquele que lhe bem apetecer. Ser da cidade não me impediu de viver livremente a minha imaginação, nem impediu que me tornasse amante do ar livre e da natureza. Jogos de computador? Nunca foram a minha praia.
Ainda hoje eu e os meus amigos ficamos horas falando das brincadeiras que fazíamos e das coisas tolas em que acreditávamos, nas personagens que criávamos e nas fantasias que construíamos juntos. É muito bom relembrar esses momentos. E é muito bom continuar a manter estas relações depois de tanto tempo e continuar a ir ao mesmo parque onde hoje temos longos diálogos.
Eu quero viver o momento da forma mais intensa e valiosa possível. Não só para ser feliz no presente, mas para ser feliz no futuro, naquele dia em que vou olhar para trás, mais uma vez, e sorrir com as memórias que trouxe comigo. Quero ter oportunidade de lembrar da minha juventude, como estou agora a relembrar a minha infância. E em toda a minha vida, vou buscar ligar-me ao que mais importa, que são as relações humanas e aquilo que aprendemos uns com os outros, olhos nos olhos, mão na mão.
Os jogos e a televisão também ensinam. Mas nunca nos podemos esquecer que eles se baseiam na vida real. E só pode ser porque esta vida real tem, de facto, muito interesse a explorar.

Ana Luelmo (23), Lisboa, 17/07/2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

As festas e as drogas

As épocas festivas andam de mãos dadas com a alegria e com a descontração, mas, infelizmente, também com alguma irresponsabilidade.
Parece-me a mim que a festa já não possui em si só o motivo para os jovens se sentirem bem, porque querem sentir euforia e a essa euforia encontram-na no álcool e nas drogas.
O consumo de drogas surge em qualquer lado, a qualquer altura, mas aqui (Lisboa) as oportunidades para o seu consumo são duplicadas.
Drogas leves ou pesadas, qualquer que sejam os seus malefícios, esses malefícios existem nas duas vertentes, sejam a curto ou a longo prazo. Se nos disseram que determinado trem vai descarrilar, nós não entramos nesse trem, porque entramos então no vício e na adição de uma coisa que também nos mata?
Como jovem que sou, não pretendo ser moralista e nem julgar ninguém, mas parece-me claro que a conclusão, vinda daqueles que nunca usaram drogas e daqueles que já usaram, resulta em unanimidade: as drogas não valem a pena.
De facto há momentos em que sabe bem voar para longe da realidade e ir ao encontro de momentos de terna desopressão, mas temos de descobrir maneiras mais saudáveis de alcançar um mesmo fim. Até porque, mais tarde, havemos sempre de voltar à estaca zero.
A maconha e o craque provocam danos irreversíveis na actividade cerebral, e a adição está intimamente ligada a transtornos pessoais e a mudanças de comportamento que afligem famílias inteiras. A saúde física é muito importante, mas também o é a saúde moral e aí muita gente acaba envolvida, como os nossos pais e irmãos, e é nessa que temos de ter principal atenção nestes casos, porque os efeitos físicos negativos do uso de drogas podem sentir-se só algum tempo depois, mas a nossa integridade pessoal está a ser posta em causa no primeiro segundo em que nelas tocamos.29/06/2009